
Imagem proibida de Brooke Shields em foto do The Sunday Times
Numa discussão com uma colega italiana de Florence, no curso de curadoria que faço na Central St. Martins, ela calorosamente dizia que a Tate Modern só faz exposições comercias, para ganhar muito dinheiro.
Bom, eu adoro as exposições e também não vejo mal nenhum em ganhar dinheiro, apesar de ter sido educada em colégio de freiras. Então, que ela não leia, mas fui ontem ver Pop Life – Art in a material world.
A nova exposição da Tate Modern, que tem curadoria de Jack Bankowsky, mostra o legado da Pop Art iniciada por Andy Warhol. De entrada o dono da Fábrica, como era chamado o estúdio de Warhol avisa: “O bom negócio é a melhor arte”. Acho que a minha amiga italiana reverencia artistas que morrem de tuberculose… Enfim, além de Warhol, havia Keith Haring e a reprodução da Pop Shop a loja dele em Nova York nos anos 80 (que minha amiga italiana não saiba mas eu até comprei um caderninho nela), as camisetas de Tracey Emin e Sarah Lucas, o bezerro no formol de Damien Hirst e os mangas de Takashi Murakami.
Como se não bastassem todos eles, uma foto de Brooke Shields super maquiada, nua aos 11 anos, anterior ao filme Pretty Baby, foi retirada da exposição antes da abertura. Mais barulho, mais páginas de jornal questionando se aquela imagem não era a leitura visual de Lolita, de Vladimir Nabokov. Eu acho que sim. No espaço, ficou uma foto da senhora Lagoa Azul aos 30 e ao lado um vazio demarca o espaço deixado pela foto da nifeta. Importante: Brooke hoje autorizou o uso dessa imagem na exposição e a mãe da atriz, na época da foto, também.
Duas salas depois desse vazio, uma foto de 10 de altura por cinco de largura do anus da Cicciolina e da vagina sendo, como direi, possuída por um pênis dá as boas vindas para quem entra na sala do Jeff Koons.
Made in Heaven é a série de fotos e esculturas que ele fez durante o casamento com a atriz. Glass Dildo, de 1991, mostra a moça com um dildo de vidro enquanto recebe “beijos”do marido. Vamos adiante.
O corredor seguinte é de Cosey Fanni Tutti uma ex atriz pornô italiana. No video instalação da artista ela convida um desconhecido para um sessão de sexo num hotel. Num daqueles corredores que não mais comporta a foto (a essa altura do campeonato quase lírica) de uma menina maquiada nua, há uma senhora fazendo um clássico (e sinto muito não dá pra usar eufemismo) boquete. Enquanto a italiana se esmera em sua arte, cerca de seis pessoas ao meu redor fazem cara de conteúdo para um boquete escomunal. Sinto muito, eu me esgoelei de rir.
A última sala é dedicada a Takashi Murakami, o homem que coloriu o logo da Louis Vuitton, e um filme dele em que a atriz Kirsten Dunst, a Maria Antonieta, dança com cabelos azuis. Leve, mas sexy, claro.
É bom mesmo que a florentina nem apareça na Tate até o dia 17 de dezembro, quando a Pop Art será desmontada, senão capaz que ela descubra que Pop Art hoje além de negócio é exposição e explícita. E, pelo que se viu por lá, quanto mais melhor.
