Há cerca de dois meses, estive num debate na Mall Galley, uma galeria em Trafalgar Square a caminho de Buckingham, em que Brian Swell, o famoso crítico do Evening Standard, era um dos debatedores. O tema era o seguinte: Young British Artists estão mortos? O que virá depois?
Young British Artists são um grupo de artistas ingleses provocadores que fizeram muito barulho no começo nos anos 90. Eles foram garimpados e depois reunidos pelo colecionador e galerista Charles Saatchi, em 1997, na Sensation. A exposição escandalizou a Royal Academy of Arts londrina. Os expoentes do grupo são Damien Hirst (com o tubarão no formol), a Tracey Emin (com a cabana com o nome de todas as pessoas com quem ela havia dormido) e Sarah Lucas (com dois ovos fritos e um kebab, questionando a nudez feminina).
Desde então, eles são o que de mais novo acontece na arte inglesa. Mas parece que os quase cinqüentões estão surpreendendo menos. Ou a platéia e os galeristas querem mais? Não sei. Sei que Tracey, com sua obra super sexual e autobiográfica, disse que perdeu o “sex drive”, Hirst está pintando óleo sobre tela e Sarah Lucas não faço ideia.
Essa iquietação é tão explícita que na segunda-feira, 23, Charles Saatchi, famoso por ser recluso e reservado, vai estrear um programa na BBC2 chamado School of Saatchi. Será um reality show que pretende encontrar um novo expoente da arte contemporânea.
Enquanto isso, está aberta até 20 de dezembro uma outra exposição
chamada “Blomberg New Contemporaries”. Ali, 48 alunos que acabaram de terminar a faculdade de arte, fotografia, ilustração, gravura, vídeo ou escultura expõem seus trabalhos. Para estar ali, eles passaram por uma banca que examinou por e-mail 10 obras de 1.300 estudantes. Feito a primeira catada, um caminhão do patrocinador da exposição viajou por todo Reino Unido para recolher fisicamente os trabalho de 100 finalistas. O resultado são os 48 trabalhos expostos na A Fundation, um casarão de red brick no leste londrino. Sem consultar a borra de café ou bola de cristal, fica impossível dizer quem explodirá dali. Mas alguns caminhos
ficam evidentes.
1. Materiais baratos (nada de ouro, diamantes ou materiais espetaculosos). Pode ser também que nenhum deles ainda tenha encontrado um Saatchi pela frente como tutor e mantenedor.
2. Fotografia! Mas não apenas como documentário, mas novos estudos de luz (uns bem esquisistos por sinal, como uma garota que fotografou sex clubs poloneses) e texturas.
3.Figurativo, pelo amor de Brian Swell, que implora que os artistas voltem a aprender a desenhar para só depois descontruirem as figuras de suas pinturas ou escolherem o abstrato. Há menos, na verdade apenas uma, instalação, e há sim um retorno (se é que um dia ele se foi) ao figurativo.
Os trabalhos ali estavam todos a venda, com preços que variavam entre 500 e 2000 libras. Jay Joplin, o dono da White Cube e ex namorado da Lilly Allen, que hoje representa Tracey Emin apareceu por lá. Se alguém vai valer o que Damien Hirst vale hoje, sua última remessa de 25 telas foram vendidas por US$ 50 milhões, não se sabe. Mas o mais bacana desse evento, foi estar num ambiente que misturava de jovens artistas, ávidos para interpretar o olhar de quem observava o trabalho deles, novos curadores (como eu) e tarimbados galeristas e colecionadores, na busca de pechinchas que podem vir a custar milhões.
Se você fosse apostar, em qual desses oito que aparecem no post você investiria?








